sábado, 19 de outubro de 2013

Aulas nas férias

(história anterior)

Nas férias de Verão, poucos são os alunos que gostam de ter aulas. Ou de estudar. Ou sequer de passar os olhos pela matéria que se teve durante os árduos meses do período lectivo.
No meu caso, a coisa não funciona bem assim…

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A vingança

Cheguei a casa dele em pulgas. Havia adiado aquele momento até mais não, e naquela altura não aguentara mais. Toquei à sua campainha, e uma voz ensonada soou pelo intercomunicador:
- Quem é?
- Miss Leyla. Abre-Me a porta.
Pareceu-Me ouvir um engasgar, antes da porta do prédio se abrir. O som dos saltos das Minhas botas contra o chão ecoava pelo hall do prédio, enquanto Me dirigia ao elevador e o chamava. Sentia-Me impaciente: o tempo que aquela caixa metálica demorou a chegar ao rés-do-chão para Mim foi uma eternidade. Quando, finalmente, a porta se abriu, fiquei ligeiramente surpreendida por ele não Me ter vindo cumprimentar, como de costume. Melhor assim, dava-Me tempo para organizar as ideias. Carreguei no botão redondo com o algarismo ‘7’ e esperei.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O treino (parte 8)

continuação...

Essa noite foi a última vez que vi Um. Nenhuma de nós soube o que lhe aconteceu, e as corajosas o suficiente para perguntarem a Lady Jewel qual o seu destino, apenas recebiam de volta um olhar gelado, sinónimo de que o melhor era mudar de assunto. Umas semanas depois, foi-nos apresentada uma rapariga ruiva, que usava um vestido do mesmo tom do de Um e com o mesmo número na bandolete. Foi-nos apresentada como a “Um”, a nossa nova companheira, Sete (uma rapariga – essa era-o de facto – loira e bem bonita, de vestido violeta) foi promovida à condição de "empregada pessoal" da Lady, e foi tudo. Umas comentavam em surdina que a castigada ainda estaria na jaula, dentro da sala de castigos, outras diziam que ela havia sido transferida para a cela novamente… nunca nenhuma de nós soube.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O treino (parte 7)

continuação...

O dia seguinte surgiu, e depois desse surgiu outro. Comecei a perder a noção da quantidade de dias passada desde a minha saída da cela onde havia sido vergada. Misericordiosamente, nos primeiros dias foi-me permitido recuperar das chicotadas e feridas infligidas durante a minha reclusão solitária, sendo bem tratada à noite por Seis, após a conclusão das nossas tarefas. Nesses primeiros dias fui também chamada algumas vezes por Lady Jewel aos seus aposentos, onde, sob o olhar de Um (acorrentada a um dos postes da cama) ela me fez dar-lhe prazer oral. Com o passar dos dias, após a habitual sessão com Lady Jewel, tive também de dar prazer oral a Um, enquanto a nossa Dona sorria e nos fotografava. Até que chegou mais uma noite de jantar.

domingo, 13 de outubro de 2013

O treino (parte 6)

continuação...

Depois da limpeza dos pratos, Seis pegou em mim e levou-me a conhecer o resto da mansão – ou, pelo menos, das áreas onde a nossa permanência era autorizada. Fiquei assim a saber que aquela casa era absolutamente gigantesca! Dir-se-ia que “palácio” era uma designação mais apropriada. À medida que fui andando pela casa, a minha companheira apresentou-me às minhas restantes colegas. No total éramos 31, entre mulheres e homens feminizados, divididos em grupos de dimensão variável. Numa semana um grupo estava afecto à limpeza da casa, outro às tarefas da cozinha, outro à lavagem da roupa de Lady Jewel – e ainda havia uma empregada com o papel de ser a criada pessoal da nossa dona. Na semana seguinte, havia rotação de tarefas. Todos os dias, acordávamos, comíamos qualquer coisa e tomávamos conta das nossas tarefas, apenas parando para o almoço; à tarde, retomávamos os nossos afazeres – com excepção de um grupo, chamado ao quarto de Lady Jewel para a servir nas suas fantasias sexuais; e, depois de jantar, dois dias por semana, enquanto as encarregadas da cozinha tratavam da lavagem da roupa, as restantes teriam de ir para o salão principal, onde Lady Jewel e alguns amigos as esperavam para se deliciarem com as empregadas. Confesso que fiquei estarrecida quando Seis me falou neste último ponto: ela referia-se a orgias! Apesar de tudo, naquele momento senti-me aliviada, pois, afinal de contas, Lady Jewel havia-me deixado na cozinha, o que, aparentemente, indiciava que eu estaria de serviço lá durante a semana. Ou assim pensava eu…

sábado, 12 de outubro de 2013

O treino (parte 5)

continuação...

Acabei por me deitar no chão, indiferente às arestas que me magoavam. Sentia vontade de urinar; acabei por fazer assim mesmo, como estava, naquela mesma posição, indiferente ao ficar com as pernas a cheirar a mijo.
A verdade é que eu estava a sentir pena de mim mesma. Havia percebido do quanto pode a dor ser uma forma de se controlar alguém, de se vergar uma pessoa à vontade alheia. Por isso desde a Idade Média se utilizava a tortura para se fazer pessoas confessar fosse o que fosse – porque resultava. E resultara comigo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O treino (parte 4)

continuação...

Como se pode calcular, passei umas horas absolutamente horrorosas. Para além de estar numa posição terrível e de não arranjar jeito de me colocar confortável, o chão rugoso cheio de arestas feria impiedosamente a minha pele; e tinha ainda as molas nos lábios da rata a causarem-me uma dor insuportável. Durante largas horas limitei-me a soluçar desalmadamente e a pedir a Deus que me ajudasse a salvar daquela situação.
Apesar de ter levado aquele banho de mangueira, ainda me sentia suja em algumas partes. A cara ainda continha vestígios de gordura do jantar, e, para piorar a situação, os ferros que tinha na boca faziam-me babar descontroladamente.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O treino (parte 3)

continuação...

Como seria de esperar, não consegui dormir nada. Os meus lábios estavam ressequidos: toda eu me sentia a desesperar por uma gota de água, e o chão tormentoso em que e encontrava deitada não me deixava encontrar posição para descansar.
Não sabia quanto tempo havia passado desde a minha captura. Eu nunca fora muito boa a medir o tempo, e estando sem ajuda da luz natural, pior ainda. Talvez ainda só tivesse passado um dia… talvez já houvesse pessoas à minha procura. Não que isso me descansasse sobremaneira: duvidava seriamente que aquela maníaca não tivesse preparado tudo de forma a não deixar pistas em relação ao seu paradeiro. Aliás, tinha uma ideia de que ela já era experiente naquele tipo de coisas.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O treino (parte 2)

continuação...

Passei umas horas horríveis. Era suposto tentar dormir mas o meu desconforto era demasiado. O meu cabelo estava ensopado em urina e exalava aquele cheiro a casa de banho mal lavada que me enojava e causava vómitos (e tive-os abundantemente), e a sensação das minhas cuecas húmidas no mesmo líquido fazia-me ter nojo de mim própria. Talvez fosse esse o objectivo daquela megera, humilhar-me até ao infinito… mas porquê? Que ganhava ela com isso? Afinal de contas porque havia sido raptada por aquela mulher – supondo que trabalhava sozinha? Tentei libertar-me, debati-me largo tempo, mas as minhas amarras não cederam um milímetro. E foi então que começaram os ataques de choro. O que seria de mim? Quanto tempo demoraria o meu marido a ir à polícia participar o meu desaparecimento?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O treino (parte 1)

Aquele havia sido um dia demasiado cansativo. Fiz votos de não haver fila na estrada, pois todo o meu corpo suspirava por descanso. Receber chamadas, tratar da logística da distribuição do hipermercado, ter de aturar os colegas… Sentia-me estoirada e farta. Só que… tinha de continuar ali, pois precisava de dinheiro para conseguir sobreviver. As contas não se pagam sozinhas...
Cheguei a casa quase uma meia-hora depois de ter picado o ponto no escritório. Atirei as minhas coisas para cima de um sofá, olhei para o espelho do corredor e pensei ‘Bolas, como me sabia bem um mês ou dois de férias.’ O Paulo ainda não devia ter chegado, ele saía do trabalho mais tarde que eu. Atirei-me também para cima de outro sofá e comecei a sentir o sono a invadir-me...
Um barulho acordou-me. Olhei para o meu relógio de pulso dourado, oferta dele, e vi que tinha dormido quase duas horas. Abanei a cabeça e olhei para o estado catastrófico em que o sofá havia deixado as minhas roupas. Sentia o estômago a dar horas: havia passado demasiado tempo desde a última vez que havia comido. Tirei o casaco e fui até à cozinha, peguei numa fatia de pão e comecei a comer. Então o barulho voltou a ouvir-se: era a campainha da porta, que desta vez tocou durante mais tempo. Gritei um “Já vou! Já vou!” e regressei ao corredor, tentando adivinhar quem podia ser. Até podia ser o Paulo que se tinha esquecido das chaves de casa...
Sorrindo perante a ideia, abri a porta.
Um saco preto envolveu-me a cabeça.
E, a seguir, perdi os sentidos.